blog_do_beagle


Calouros e veteranos

Noutro dia, um calouro de alguma dessas "uni" da vida chegou na janela do meu veículo me pedindo uma moeda. Estava com o cabelo raspado em alguns pontos da cabeça, pintado com tinta azul e sem camisa, sob sol escaldante. Neguei a moeda e disse que ele não era obrigado a passar por aquela humilhação. Ele que fosse a qualquer delegacia de polícia e fizesse lavrar Boletim de Ocorrência contra quem o colocara naquela situação ridícula e constrangedora.

É claro que ele não foi e, ainda, deve ter me xingado muito.

Eu sempre achei ridícula essa prática de submeter os calouros a vexames e humilhações. Sempre achei péssima a idéia de obrigar os rapazes rasparem as cabeças e, mais do que isso, exigir que os jovens fiquem pedindo moedas nos faróis. Considero violação de privacidade colocar o sutiã da caloura por cima da roupa e tirar-lhe um pé do calçado para que ela circule entre os carros pedindo "esmolas".

Sempre disse e continuo dizendo: os recem ingressados nas faculdades deveriam prestar serviços comunitários orientados pelos veteranos, dentro de suas áreas de escolha. Todos sairiam ganhando.

As faculdades deveriam instituir esse programa e oferecer premiação ou bolsas de estudo para quem deles participe.

Em parceria com o Estado e com a União, poderia ser criado desconto de tempo de serviço militar para aqueles que prestassem serviços comunitários, por exemplo. Facilitação na obtenção de crédito educativo  seria outra alternativa.

Quem sabe, com esses incentivos, aos poucos acaba essa barbárie sem sentido que é o trote?

Elza



Escrito por Elza às 23h34
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Chuvas

Nunca tive medo de chuva. Gosto de ver a água caindo. Gosto do barulho que ela faz ao bater nas vidraças e no chão. Os carros passam e o contato dos pneus produzem som agradável aos meus ouvidos. Aprecio dormir com o som que a água produz.

A quantidade de chuva que vem caindo sobre São Paulo tem me assustado, não apenas por que não há vasão suficiente, mas, também, porque na região em que circulo existem muitas árvores velhas e com ramos imensos. É comum esses ramos não suportarem o peso de tanta água e se espatifarem no chão, deixando marcas profundas nas latarias dos carros que encotnram pelo caminho.

Hoje foi dia de tanta chuva que até avenidas que jamais encheram tiveram as calçadas e ruas niveladas.

Os raios e trovões são tantos e tão intensos que passei a teme-los.

O verão se adianta, mas até março teremos muitas tormentas pela frente. Boa sorte para nós. Elza



Escrito por Elza às 23h12
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Zilda Arns

Devo tributo para esse exemplo de mulher.

Drª Zilda Arns nos ensinou dedicação ao próximo.

Morreu como viveu: cuidando dos pequenos famintos e desesperançados.

Existe prêmio Nobel da Paz im memoriam?

Bj. Elza



Escrito por Elza às 22h34
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Morte

Tenho pensando muito na morte e no que fica depois.

Ando descrente de deus e de santos e de pós morte. Parece-me que criamos a vida após a morte para escamotear a verdade, mas não sei, como ninguém sabe.

Fico assustada com a burocracia do pós morte e em como deixar minhas coisas organizadas para facilitar as atividades para quem for cuidar do meu requiem. Quanto mais analiso mais me assusto com a quantidade de pequenas coisas a serem resolvidas. 

Fico a imaginar como poderia ser o pos morte de meus queridos e me perco em incertezas. Fica o vazio na minha frente!

Meus Pais eram minha referência. Eles se foram e fiquei solta no ar, pois, não sou referência para ninguém, já que me recusei a deixar filhos nesse mundo podre. Pareço um balão à deriva. O vento leva para cá ou para lá ... encontro aquela corrente ascendente e então subo, para, de repente cair num vácuo e só parar a linha descendente quando uma corrente fria me segura.

Estou particularmente pensativa, hoje. Morreu-me um amigo no dia em que eu voltava de férias e só soube agora, após o almoço. Idoso e muito doente, deixou viuva, filhos e netos. Ele não soube, mas lhe dediquei carinho e atenção quase filiais. Em oportunidades várias ele me tirou do sério porque precisava de resposta positiva para suas indagações e eu não poderia trai-lo e engana-lo. Permaneci muitas horas a escutar as mesmas questões e a explicar os mesmos pontos para ele, na tentativa de acalmar as angustias que o corroiam.

Estou na expectativa de uma amiga me comunicar que sua, muito idosa, Mãe, morreu.

Apreensiva, aguardo noticias do marido de uma amiga de infância que tenta se recuperar de severo problema de saúde. Ele sofreu 3 cirurgias e teve septicemia ... ainda está hospitalizado.

A morte faz parte da vida e é a única certeza que temos. O conhecimento de nossa finitude nos diferencia dos demais animais da natureza, e, mesmo assim, quando penso que ela está sempre ao redor de mim, e que em decorrência dela os que me cercam terão trabalho, fico incomodada.

Começarei, ainda hoje, a listar minhas senhas de internet e a destinação de cada processo que está sob minha orientação; a destinação de meus bens pessoais; a divisão dos dinheiros e posses e onde quero ser enterrada.

Não estou deprimida e nem triste. Estou consciente, apenas.

Bjkª. Elza

 



Escrito por Elza às 16h42
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Estarrecimento

Estava eu zapeando os canais fechados da TVA quando me deparei com entrevista concedida por dois Procuradores Federais  a um jornalista da Record, se não me engano Paulo Henrique Amorim.

Peguei a conversa começada, mas fiquei estarrecida e abismada com as coisas que ouvi.

1. Paulo Maluf enquanto prefeito da cidade, no tempo da ditadura, autorizava que ossadas fossem enterradas no Cemitéria da Vila Formosa como indigentes e eram de opositores do regime de força que viviamos.

Miguel Colassuono autorizou a "reurbanização" daquele cemitério e as tumbas e valas comuns "sumiram". Embaixo do cruzeiro que deve existir em cemitérios cristãos, existia uma enorme vala que escondia muitos corpos.

2. Esse mesmo Paulo Maluf queria construir 2 crematórios na cidade de São Paulo para serem incinerados os "indigentes". A idéia não vingou porque a lei exige autorização do dono do corpo para cremação e a companhia inglesa que venceu a licitação estranhou a atitude da prefeitura e retirou-se. Não foram construidos e as ossadas passaram a ser enterradas em Perus, onde foram descobertas.

3. Até hoje não foi dada qualquer satisfação aos parentes das vitimas dos massacres ocorridos em decorrência da oposição ao regime militar, muito embora exista autorização legal para serem investigados todos os atos e serem identificadas todas as ossadas encontradas. O governo federal não disponibiliza recursos para os promotores agirem. Não libera laboratórios e assim por diante. Romeu Tuma teria deixado de informar as mortes ocorridas no Doi-Cod.

4. A União, o Estado de São Paulo, a USP, a UNICAMP e mais uma universidade cujo nome não me lembro, mas acho que é a PUC de Campinas, assim como Paulo Maluf, Romeo Tuma, MIguel Colassuono, Fabio Pereira Bueno e Harry Shibata estão sofrendo ação civil pública. O objetivo é ressarcir as familias dos desaparecidos. Não é ação penal e sim, ação civil. Existem várias ações civis públicas promovidas pelo Ministério Público Federal por conta das barbáries praticadas no tempo da ditadura e estão em andamento, mas sem qualquer divulgação.

Caso condenados eles poderão perder função pública desde que não eletivas, ou seja, o deputado Paulo Maluf e o Senador Tuma não perdem os mandatos. Poderão perder aposentadorias, também.

Tem mais coisas das quais não me recordo. Eu gostaria de assistir a essa ntrevista por inteiro, diversas vezes. Procurarei no site do canal e se for possível, postarei aqui.

Sou apolitica. Não tenho partido e não acredito em nenhum.

Também não acredito que exista politico sério, isento e honesto. Para mim, todos são filhos da corrupção e só querem cargos públicos para ganharem sem trabalho e receberem propinas.

Fosse no tempo da ditadura ou nos tempos da "democracia" que vivemos, para mim, os politicos tem as mesmas características.

Comete crime quem se opõe ao governo e quer derrubá-lo, à força. Não comete crime quem defende o "status quo", segundo nossa lei.

Qual é o limite decente para essa defesa da situação vigente? Qual é o limite decente para tentativa de derrubar o governo?

Até que ponto é válido assaltar um banco ou sequestrar um diplomata para obter dinheiro para armar-se um grupo que quer derrubar o governo?

Até que ponto é válido o governo manter no cárcere e sob tortura quem lhe faz oposição cerrada, com assaltos e sequestros?

Estou estarrecida e cheia de perguntas sem respostas. Voltarei ao tema.

Elza



Escrito por Elza às 13h41
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